Registre suas ideias, senão...

Não tinha o hábito, mas de uns tempos pra cá comecei a fazer... 

O tempo passa e é natural não termos mais aqueeeela memoria de outrora, e pra você que tem uma rotina criativa e está sempre buscando ideias, consumindo mídias diversas de olho em referências, naquilo que possa te inspirar e virar alguma coisa nas suas mãos é interessante manter por perto um caderninho para registar suas lâmpadas quando essas surgirem sobre sua cabeça. 

'Nesse caderno está contido o conhecimento do mundo inteiro.' hahaha!!! brincadeira, ao menos do meu mundo de criação está, gosto de usar essa frase para os livros, que nos livros está contido o conhecimento do mundo inteiro, mas enfim, o assunto é outro. 

Registro aqui muitas coisas, entre elas, nomes de artistas pra pesquisar depois, ideias de histórias que talvez virem quadrinho/livro, alguns argumentos ou histórias inteiras, informações sobre técnicas artísticas e até alguns versos e reflexões sobre determinado assunto. Ele se tornou um companheiro, sem contar que escrevendo à mão continuo exercitando o essencial e saio do digitar.

Se a ideia surge e não o tenho por perto, lanço mão de qualquer pedaço de papel ou um post it, que no fim vai parar no caderninho...


 

Você tem medo de barata?

Entre 2017 e 2018 tive a chance de imprimir algumas das minhas histórias em quadrinhos, umas 5 no total, entre elas o Barata Atômica... fiz tudo de forma independente bancando por conta própria, no máximo tive a ajuda de um amigo designer que colaborou com a "diagramação" e fechamento dos arquivos para enviar pra gráfica, enfim. Hoje lançando um olhar crítico sobre essa e outras obras que produzi nesse período vejo que ficou bem amador, confesso que alimentei mais a vontade de ver minhas revistas impressas do que de fato me preocupar com a qualidade das histórias e até mesmo do acabamento. 

Essa história por exemplo, é cheia de pontas soltas, algumas coisas não fazerem muito sentido dentro da narrativa, e outro detalhe, não existe a parte 2, na verdade existe, seriam alguns extras da produção, mas ao imprimir  precisei cortar custos retirando algumas páginas, continuando... por outro lado pude aprender bastante, fiz do meu jeito e como queria (na época), foi um laboratório, serviu como um exercício criativo. Lembro que eu tinha só uma premissa do enredo, o resto saiu de improviso enquanto ia desenhando as páginas, aliás, uma técnica bem interessante que alguns quadrinistas usam (Akira Toriyama criador de Dragon Ball certa vez relatou que elaborava suas histórias +ou- assim), mas no meu caso foi falta de planejar um roteiro com mais cuidado, falta de experiência, enfim.




Nessa época fiquei bem eufórico, depois que chegaram as caixas logo me organizei pra participar de feiras de quadrinhos aqui onde moro (Brasília), e de fato participei de algumas, mas sem muito sucesso de conseguir popularizar minhas histórias e personagens, vendas? não vou nem comentar, rs... 

Muito entusiasmo pouco planejamento, receita perfeita para um projeto naufragar, eu só queira estar nesses lugares mostrando minhas histórias, não importando o quão ruim poderiam ser.😅

Claro, no fim das contas gastei grana e até hoje tenho algumas caixas  do que sobrou, ocupando espaço, consegui me livrar de alguns exemplares doando para bibliotecas ou presenteando conhecidos, mas ainda restaram uns por aqui.

'Qualquer coisa que queremos nos tornar no mínimo razoáveis, esse tipo de coisa, é só fazendo e refazendo mesmo pra pegar o jeito... o primeiro pode sair ruim, o segundo pior, mas persistindo, lá pelas tantas você começa a achar o caminho.' (Conselho pra mim mesmo 😁).

Desfecho... hoje depois de uns 8 anos desse episódio continuo produzindo quadrinhos, passei a elaborar melhor as ideias, com mais calma, buscar referências, acompanhar o processo de outros quadrinistas que admiro o trabalho, ler mais sobre narrativa gráfica, resumindo, estudar essa mídia. 

Fiquei um tempinho sem produzir nada de quadrinhos, só me dedicando as ilustrações e outros projetos, mas em 2020 elaborei uma nova história, O Cheiro, um quadrinho de terror, 8 páginas (tá disponível aqui para leitura), e gostei do resultado, peguei um fato que havia ocorrido comigo e adicionei pitadas de horror e suspense, dessa vez publiquei só online, nada de impressão (é caro e chega de caixas, rs!). Acho que encontrei uma abordagem interessante para fazer meus quadrinhos, pegar fatos do cotidiano e 'temperar' com pitadas de gêneros como ficção e fantasia, pronto, desde então tenho feito assim (não sempre), quadrinhos curtos inspirados em acontecimentos do dia a dia, inclusive, alguns acontecimentos já tem cara de 'história', então não é muito difícil. Passei a observar mais as pessoas, conversar, ouvir suas experiências, observar a nossa volta, soma-se a isso tudo o que consumimos culturalmente e com o tempo temos um repertório inesgotável de ideias para histórias.

Nos últimos tempos tenho revisitado alguns dos meus quadrinhos antigos com o interesse de refazê-los, aproveitando alguns conceitos que achei interessante e trabalhando melhor a ideia, nada é perdido dentro do universo criativo. O Barata Atômica é um deles, venho retrabalhando nele nesse momento.

Alguns esboços.👇😄


Obs.: O nome também vai mudar, será Cotidiano Kafka, a ideia principal do quadrinho é baseada na obra 'A Metamorfose' do escritor Franz Kafka. O personagem 'Barata Atômica' faz uma aparição nessa nova versão, porém, como um lutador de luta livre que o protagonista é fã, quem sabe um dia eu faça um pin-off dele.